sexta-feira, 30 de novembro de 2007


Não ensinei ao meu peito como te amar sem sofrer
Nem saber esperar sem ânsia por tua ligação
Nunca soube no vazio na tua ausência compreender,
Quanto espaço preenches no vácuo do meu coração.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Engenheiros do Hawaii - Pra Ser Sincero -Humberto Gessinger

Pra ser sincero eu não espero de você
Mais do que educação,Beijo sem paixão,
Crime sem castigo,
Aperto de mãos,
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero eu não espero que você
MintaNão se sinta capaz de enganar
Quem não engana a si mesmo
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.
Pra ser sincero eu não espero de você
Mais do que educação,
Beijo sem paixão,
Crimes sem castigo,
Aperto de mãos,
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo
Um dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre
Talvez a gente encontre explicação
Um dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez eu diga, minha amiga,
Pra ser sincero, prazer em vê-la
Até mais... (até mais)
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

" A hora do cansaço" - Drummond


As coisas que amamos,as pessoas que amamos são eternas até certo ponto.Duram o infinito variável no limite de nosso poderde respirar a eternidade.Pensá-las é pensar que não acabam nunca,dar-lhes moldura de granito.De outra matéria se tornam, absoluta,numa outra (maior) realidade.Começam a esmaecer quando nos cansamos,e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,de aspirar a resina do eterno.Já não pretendemos que sejam imperecíveis.Restituímos cada ser e coisa à condição precária,rebaixamos o amor ao estado de utilidade.Do sonho de eterno fica esse gozo acrena boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

" Mundo grande" - Drummond


Não, meu coração não é maior que o mundo.É muito menor.Nele não cabem nem as minhas dores.Por isso gosto tanto de me contar.Por isso me dispo,por isso me grito,por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:preciso de todos.Sim, meu coração é muito pequeno.Só agora vejo que nele não cabem os homens.Os homens estão cá fora, estão na rua.A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.Mas também a rua não cabe todos os homens.A rua é menor que o mundo.O mundo é grande.Tu sabes como é grande o mundo.Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.Viste as diferentes cores dos homens,as diferentes dores dos homens,sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo issonum só peito de homem...sem que ele estale.Fecha os olhos e esquece.Escuta a água nos vidros,tão calma. Não anuncia nada.Entretanto escorre nas mãos,tão calma! Vai inundando tudo...Renascerão as cidades submersas?Os homens submersos-voltarão?Meu coração não sabe.Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.Só agora descubrocomo é triste ignorar certas coisas.(Na solidão de indivíduodesaprendi a linguagemcom que homens se comunicam).Outrora escutei os anjos,as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.Nunca escutei voz de gente.Em verdade sou muito pobre.Outrora viajeipaíses imaginários, fáceis de habitar,ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.Meus amigos foram às ilhas.Ilhas perdem o homem.Entretanto alguns se salvaram etrouxeram a notíciaque o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,entre o fogo e o amor.Então, meu coração também pode crescer.Entre o amor e o fogo,entre a vida e o fogo,meu coração cresce dez metros e explode.-Ó, vida futura! Nós te criaremos!