sexta-feira, 31 de agosto de 2007


Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda Gira,
a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

"Talvez o mundo não seja pequeno,
nem seja a vida um fato consumado"

"Eu não sei bem com certeza, porque foi que um belo dia,
quem brincava de princesa, acostumou na fantasia"


"VOCÊ QUE INVENTOU A TRISTEZA OLHA TENHA A FINEZA DE DESINVENTAR,
VOCÊ VAI PAGAR E É DOBRADO TODA LÁGRIMA ROLADA DESSE MEU PENAR"

A um ausente... (Carlos Drummond de Andrade)


Tenho razão de sentir saudade,tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompestee sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade viver e explorar os rumos
de obscuridadesem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas
na hora de cair.Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais gravedo que o ato sem continuação, o ato em si,o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que
eram sempre certeza e segurança.Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem
nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.


Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas,essas ficarão.


..."Falta-me o senso: a esmo,
Como um cego, a tatear, busco nem sei que porto:
E ando tão diferente de mim mesmo,
Que nem sei se estou vivo ou se estou morto.
Sei que entre as nuvens paira Minha fronte,
e meus pés andam pisando a terra;
Sei que tudo me alegra e me desvaira,
E a paz desfruto, suportando a guerra.
E assim peno e assim vivo: Que diverso querer!
Que diversa vontade! Se estou livre, desejo estar cativo;
Se cativo, desejo a liberdade! E assim vivo, e assim peno:
Tenho a boca a sorrir e os olhos cheios de água;
E acho o néctar num cálix de veneno,
A chorar de prazer e a rir de mágoa.
Infinda mágoa! Infindo Prazer! Pranto gostoso e sorrisos convulsos!
Ah! Como dói assim viver, sentindo Asas nos ombros e grilhões nos pulsos!"


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,ninguém a rouba mais de mim.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007


Eu queria ser o vento...
Há como eu queria...
Sopraria pra bem longe,as trevas que anoitecem meus dias.


Um vazio que não consigo preencher com nada nem com ninguém.
Tudo que me cerca são sombras,meu pensamento é envolto em tristeza.
A luz da minha vida está se apagando...
Vida, que vida?



Angústia por favor vá embora,deixe-me em paz.
Não quero mais te sentir junto a mim!
Eu quero redescobrir a vida,voltar a sorrir, e ser de novo eu,apenas eu...


Olho ao meu redor;nada construí, nada me pertence!Chorar eu chorei...Perdi-me, talvez no tempo,e adormeci pelo caminho.Ninguém procurou por mim...Ninguém por mim chorou,ninguém por mim sorriu.Agora eu acordei;mas é tarde, muito tarde...Nada deixo, nada levo.Sou um ser inútil e desnecessário...

My Immortal...


I'm so tired of being here
suppressed by all of my childish fears
and if you have to leave
I wish that you would just leave
your presence still lingers here
and it won't leave me alone
these wounds won't seem to heal
this pain is just too real
there's just too much that time cannot erase
when you cried I'd wipe away all of your tears
when you'd scream i'd fight away all of your fears
and I've held your hand through all of these years
but you still have all of me
you used to captivate me
by your resonating light
but now i'm bound by the life you left behind
your face it haunts my once pleasant dreams
your voice it chased away all the sanity in me
these wounds won't seem to heal
this pain is just too real
there's just too much that time cannot erase
when you cried I'd wipe away all of your tears
when you'd scream I'd fight away all of your fears
and I've held your hand through all of these years
but you still have all of me
I've tried so hard to tell myself that you're gone
but though you're still with me
i've been alone all alone




"Antes, a questão era descobrir se a vida precisava ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado."
(Albert Camus)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

"Pois meus olhos não se cansam de chorar
Tristezas, que não cansam de cansar-me;
Pois não abranda o fogo em que abrasar-me;
Pôde quem eu jamais pude abrandar,

Não canse o cego Amor de me guiar
A parte donde não saiba tornar-me;
Nem deixe o mundo todo de escutar-me;
Enquanto me a voz fraca não deixar,

E se em montes, [em] rios ou em vales
Piedade mora ou dentro mora amor
Em feras, aves, plantas, pedras, águas,

Ouçam a longa história de meus males,
E curem sua dor com minha dor;
Que grandes mágoas podem curar mágoas."

segunda-feira, 13 de agosto de 2007






Ando estranha.Ultimamente sinto que me falta qualquer coisa.
Não consigo entender o quê… e isso deixa-me assim, sem atitude, sem espirito, sem vontade de sequer sorrir.
Não percebo nada.
Ou o meu subconsciente não me deixa perceber.
Onde estou eu afinal?

domingo, 12 de agosto de 2007















Em busca de tudo em busca do nada,num futuro obscuro sem a luz da alvorada.Busca sem fim pelos infinitos dos céus.Em busca do passado que fora tapado por um véu.De negro veste o meu coração que não encontra a felicidade.Não encontra paz não encontra a luz para o iluminar.Muito menos a solução para esta dor acabar.Por muito que caminhe por muito que busque por uma felicidade perdida não adianta de nada,pois perdida está e perdida continuará.
Tudo me escapa pelos dedos e desaparecem no vazio.Os amigos desaparecem,o amor desaparece...E a vontade de viver escasseia cada vez mais,a vontade de amar parece não voltar.Vida sofrida vida sem interesse,azar maldito que eu queria que morresse.Puta de sorte que não me abandona,colou-se a mim e não quer ir embora.Quando será o dia k a sorte irá voltar,e assim o amor em mim se entranhar.E se um dia no meu caminho se cruzar,agarrala-ei com todas as minhas forças,pois será a única oportunidade que terei,para encontrar a felicidade.
Mas pra já,continuarei em busca...
Em busca de tudo...
Em busca de nada...