sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda Gira,
a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)

Um comentário:

Débora Val disse...

Esse poema de Fernando Pessoa é simplesmente fantástico.

: )