..."Falta-me o senso: a esmo,
Como um cego, a tatear, busco nem sei que porto:
E ando tão diferente de mim mesmo,
Que nem sei se estou vivo ou se estou morto.
Sei que entre as nuvens paira Minha fronte,
e meus pés andam pisando a terra;
Sei que tudo me alegra e me desvaira,
E a paz desfruto, suportando a guerra.
E assim peno e assim vivo: Que diverso querer!
Que diversa vontade! Se estou livre, desejo estar cativo;
Se cativo, desejo a liberdade! E assim vivo, e assim peno:
Tenho a boca a sorrir e os olhos cheios de água;
E acho o néctar num cálix de veneno,
A chorar de prazer e a rir de mágoa.
Infinda mágoa! Infindo Prazer! Pranto gostoso e sorrisos convulsos!
Ah! Como dói assim viver, sentindo Asas nos ombros e grilhões nos pulsos!"

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